Cirurgias canceladas nos hospitais do Alentejo são os efeitos da greve dos enfermeiros

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Cirurgias canceladas e salas encerradas nos blocos operatórios dos hospitais do Alentejo são efeitos hoje sentidos na região, no primeiro de seis dias de greve dos enfermeiros, indicaram dirigentes sindicais do setor.

O dirigente nacional e coordenador no Alentejo do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Edgar Santos, revelou à agência Lusa que, neste primeiro dia de paralisação, “estão encerradas várias salas de cirurgias nos blocos operatórios dos hospitais da região”.

A menor adesão à greve, na ordem dos “45%”, reconheceu o sindicalista, regista-se no Hospital de Beja, em que, “dos 18 enfermeiros escalados para o bloco operatório, oito aderiram” ao protesto, o que, ainda assim, teve efeitos.

“O bloco operatório tem quatro salas de cirurgia e, como é preciso ter quatro enfermeiros em cada uma, por causa da greve, só estão a funcionar uma de cirurgias programadas, porque as outras duas estão fechadas, e a de urgências”, destacou.

Já no que respeita à cirurgia de ambulatório nesta unidade, “estavam escalados dois enfermeiros e nenhum aderiu à greve”, disse Edgar Santos.

No Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), de acordo com o SEP, a cirurgia de ambulatório regista 100% de adesão à greve — “os três enfermeiros escalados estão em greve”, disse o sindicalista — e, dos 17 enfermeiros escalados para o bloco operatório, “11 aderiram” à paralisação, o que “ronda os 65%”.

Já em Portalegre, no hospital da capital de distrito, em que “não existe cirurgia de ambulatório”, referiu Edgar Santos, “dos 11 enfermeiros que constam da escala para hoje” no bloco operatório, “oito fizeram greve”, numa adesão “na ordem dos 73%”.

“Por toda a região, com este nível de adesão, há várias cirurgias canceladas. Em Portalegre, só funciona a sala de cirurgias de urgência e, em Évora, há também salas encerradas”, frisou o sindicalista.

Já no Hospital do Litoral Alentejano (HLA), no concelho de Santiago do Cacém (Setúbal), a greve registou uma adesão de 70% no bloco operatório e “encerrou as cirurgias de ambulatório” indicou o SEP.

No bloco operatório “estão três enfermeiros a trabalhar e só há uma sala de emergência a funcionar, para assegurar que apenas as cirurgias emergentes se concretizam”, adiantou à agência Lusa, Zoraima Prado, dirigente do SEP.

A greve de seis dias iniciada hoje pelos enfermeiros visa exigir ao Governo que apresente uma nova proposta negocial da carreira de enfermagem que vá ao encontro das expectativas dos profissionais e dos compromissos assumidos pela tutela.

Com início às 08:00, a greve realiza-se hoje exclusivamente nos hospitais (blocos operatórios e cirurgia de ambulatório) e na quinta-feira em todas as instituições de saúde do setor público que tenham enfermeiros ao serviço, segundo o pré-aviso de greve.

A paralisação nacional repete-se nos dias 16, 17, 18 e 19 de outubro, dia em que está marcada uma manifestação em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa.

Os sindicatos exigem a revisão da carreira de enfermagem, a definição das condições de acesso às categorias, a grelha salarial, os princípios do sistema de avaliação do desempenho, do regime e organização do tempo de trabalho e as condições e critérios aplicáveis aos concursos.

A greve é convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), pelo Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM), pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR) e pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE).

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