Grândola inicia programa de quatro dias dedicados à canção de protesto

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Grândola, no distrito de Setúbal, vai dedicar quatro dias à música de intervenção e de protesto, entre hoje e domingo, com exposições, concertos e o lançamento de um CD-Livreto dedicado a José Afonso.

Promovido pelo Observatório da Canção de Protesto (OCP) e Câmara de Grândola, a primeira edição do evento “Sem Muros Nem Ameias” presta uma homenagem “sentida e sincera” ao ‘cantautor’ Zeca Afonso, enquanto “figura maior da cultura nacional”, explicou à agência Lusa Alcides Bizarro, responsável da divisão de cultura do município.

O programa, que vai servir igualmente para promover as atividades do OCP, arranca, hoje com a exibição do ‘DVD’ referente ao espetáculo “José Afonso ao vivo no Coliseu” e prolonga-se até domingo com diferentes propostas culturais.

“Pretendemos que este evento passe a ser realizado com regularidade, porque estas propostas culturais saem do âmbito local e destinam-se a todos os amantes da música nacional e da canção de intervenção e de protesto”, frisou Alcides Bizarro.

O “momento mais emblemático” do programa, segundo a organização, é o lançamento do CD-Livreto “Grândola, vila morena — Para sempre, José Afonso”, no domingo, no Cineteatro Grandolense, no âmbito das comemorações do Dia do Município.

“É um CD editado pelo município com 14 versões da canção ‘Grândola, vila Morena’ de grandes nomes da música portuguesa e figuras internacionais, que inclui um pequeno livro que traça a passagem de Zeca Afonso por Grândola e a importância que a canção adquiriu ao longo dos anos”, adiantou.

A sessão de apresentação vai contar com António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF, que participa no CD com uma versão de “Grândola, vila morena”, Arturo Reguera, um dos organizadores do concerto de José Afonso na Galiza, Espanha, e Carlos Martins, músico de Grândola e autor da versão “Revolução Romântica”.

José Mário Branco, responsável pela orquestração e produção musical do tema, Francisco Fanhais, músico com participação ativa na gravação da canção, e Rui Vieira Nery, musicólogo com produção académica sobre a obra de José Afonso, também participam no lançamento do trabalho discográfico.

Após o lançamento do CD-Livreto, serão interpretadas algumas versões da canção “Grândola, vila Morena”, juntando em palco Francisco Fanhais, UHF, o Ensemble de sopros e percussão da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense e o Grupo Coral Etnográfico Vila Morena.

O concerto do cantautor Allen Hallowen, na sexta-feira, no Parque de Feiras e Exposições, e o espetáculo luso-russo “A Música e a Revolução”, no sábado, com a participação do barítono Alexandr Jerebtzov, o baixo João Miranda e o pianista Duncan Fox, no Cineteatro Grandolense, são outras das propostas musicais.

No último dia são inauguradas exposições de pintura de Fátima Madruga, dedicadas a Zeca Afonso, patentes ao público no Cineteatro Grandolense, em Grândola.

Criado em 2015, o Observatório da Canção de Protesto tem com o objetivo promover o estudo, salvaguarda e divulgação do património musical tangível e intangível da canção de protesto, produzido ao longo dos séculos XX e XXI, e a sua divulgação através da realização de iniciativas culturais diversas.

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