Jovens de Odemira têm um ano e dez mil euros para realizar projetos sobre rio Mira

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Vários estudantes de Odemira, têm um ano e dez mil euros para executar dois projetos sobre o rio Mira, um documentário e uma “maleta pedagógica”, decididos durante uma Assembleia Municipal Jovem.

O tema “Rio Mira” foi lançado pela câmara municipal, a partir do qual os alunos da turma 11.º B, da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, em Odemira, fizeram “uma chuva de ideias” para chegar a uma proposta “concretizável”, explicou hoje à agência Lusa Margarida Santos, de 16 anos, porta-voz do grupo que pretende realizar um documentário.

“Queríamos algo que pudesse ser partilhado nas redes sociais e que pudesse funcionar como uma espécie de cartão-de-visita do concelho, mas que tivesse a ver com a nossa área, fosse algo que pudesse aprofundar um bocadinho mais os nossos conhecimentos”, explicou a estudante de Ciências e Tecnologias Socioeconómicas.

Para selecionar e organizar os conteúdos para o documentário, os alunos vão pesquisar e inventariar valores naturais, culturais e paisagísticos do rio Mira e falar com arqueólogos e historiadores, biólogos e geólogos, antropólogos, pescadores ou outras pessoas locais com ligação ao curso de água.

Um outro grupo de alunos, de duas turmas do 7.º ano de escolaridade, do Agrupamento de Escolas de Colos, vai trabalhar no projeto “Conhecer para Preservar”, também aprovado na Assembleia Municipal Jovem, que visa criar uma “maleta pedagógica”, com informação didática, jogos e desafios sobre a ribeira do Torgal, um afluente do rio Mira.

“O nosso projeto é a criação de uma ‘maleta pedagógica’ destinada ao ensino básico de Odemira”, explicou à Lusa Jéssica Guerreiro, de 12 anos, uma das porta-vozes do grupo de jovens, adiantando que a abordagem ao conteúdo vai ser diferente para os diferentes ciclos de ensino.

Um guião para visita à ribeira do Torgal, jogos, um documentário e desafios para os colegas concretizarem são alguns dos conteúdos que vão ser incluídos nas maletas, que poderão vir também a ser adaptadas consoante a proximidade de outros afluentes do rio das escolas noutras zonas do concelho, acrescentou Maria Clara Bartolomeu, de 13 anos.

“Escolhemos a ribeira do Torgal porque é a que está mais perto de nós, mas também vamos ter de fazer uma pesquisa para ver que afluente está mais próximo de outras escolas para ser mais fácil visitar”, esclareceu a jovem, que espera, em conjunto com os colegas, criar uma maleta “o mais profissional possível”, mas também “divertida”.

Para a vereadora com os pelouros da Educação e Juventude no município de Odemira, Telma Guerreiro, o processo, integrado na iniciativa municipal “Juventude Participativa”, é uma forma de promoção da cidadania.

“A intenção é que eles vivam a participação cívica, da ideia do projeto até à Assembleia Municipal. Pensar na ideia, criar o projeto, defender a ideia, vê-la votada pelos seus pares e depois passar à prática”, destacou a autarca, frisando que são os próprios jovens que “pesquisam orçamentos”, “fazem ofícios” e “executam todas as tarefas”.

“A experiência permite-lhes perceber dificuldades e constrangimentos e aprender a ultrapassar as barreiras”, defendeu, esclarecendo que todo o processo é acompanhado pelo setor da Juventude na Câmara Municipal de Odemira, bem como por professores.

Esta é a terceira vez que é alocado um orçamento para a execução dos projetos, geridos pelos jovens, no âmbito da “Juventude Participativa”, tendo a votação ocorrido durante a Assembleia Municipal Jovem, em Sabóia, no interior do concelho de Odemira.

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