Música de Portugal faz-se ouvir no FMM Sines 2018

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Com fado, ligações a África e à América do Sul, folclore e eletrónica, já estão definidos os artistas com origem em Portugal que vão estar presentes na 20.ª edição do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, que se realiza de 19 a 28 de julho de 2018, em Sines e Porto Covo.

O fado é representado por Aldina Duarte, uma das mais intensas intérpretes do género. Fadista residente no Senhor Vinho, um dos templos do fado em Lisboa, gosta de chamar ao fado os grandes escritores que ama e a suas próprias criações. O seu novo disco, “Quando se ama loucamente”, é uma autoficção sobre estruturas de fados tradicionais e um tributo à escritora Maria Gabriela Llansol. Um álbum raro na história do fado, também por ser a primeira fadista/letrista a escrever um disco seu na íntegra.

Outra grande voz que se estreia no FMM Sines é a da cantora Susana Travassos. Nascida em Faro, estudou acordeão, piano, canto lírico e jazz. O seu disco mais recente, “Pássaro Palavra”, foi gravado em Buenos Aires, uma das várias experiências que os últimos anos viveu na América Latina. O músico brasileiro Zeca Baleiro, com quem colaborou, descreve o seu canto como “límpido e intenso”, próprio de uma artista que “canta a sua aldeia e, por isso mesmo, o seu canto soa universal”.

Outra confirmação portuguesa tem nome em inglês: Live Low. Cria ambientes eletrónicos imersivos com base do folclore português e junta Gonçalo Duarte, na guitarra, Miguel Ramos, no baixo, Pedro Augusto, na eletrónica, e Ece Canli, artista turca radicada no Porto, na voz. Inspira-se nas recolhas de Giacometti e Lopes Graça e nas composições de grandes da música portuguesa de raiz tradicional, como José Afonso, Vitorino, Fausto Bordalo Dias. Em relação a outras experiências, uma diferença: não há samples, “amostras” reais.

As ligações africanas de Portugal estarão bem marcadas nos outros três concertos.

A cantora e compositora Sara Tavares estreia-se em Sines no momento em que inicia uma nova fase da carreira, marcada pela edição do álbum “Fitxadu”, o primeiro depois de um silêncio discográfico de oito anos. Portuguesa de raízes cabo-verdianas sempre revisitadas, Sara ressurge acompanhada por uma seleção de alguns dos melhores músicos dos países africanos onde se fala português. Um regresso aberto à Lisboa africana, à comunidade à sua volta e à língua musical que fala, mais próxima do beat e da música de dança.

É de música de dança que se fala quando se fala de Scúru Fitchádu, cocktail energético com funaná cabo-verdiano e estética punk rock. Uma ideia de Marcus Veiga, também conhecido como Sette Sujidade, promove a junção de estilos que, à primeira vista, parecem incompatíveis: a música de baile de artistas clássicos como Bitori nha Bibinha e os sons hardcore de bandas como Discharge e Bad Brains. Música numa encruzilhada de linhas de baixo distorcidas, baterias aceleradas, noise e concertina / ferro.

Está também confirmado no FMM Sines o grupo Fogo Fogo, homenagem aos ritmos cabo-verdianos prestada por músicos portugueses, nascida na Casa Independente, espaço cultural no coração do bairro do Intendente, um dos centros da cultura de mestiçagem que é um dos traços da nova movida lisboeta. O espírito e a matriz melódica e rítmica do funaná, o mais festivo entre os estilos musicais de Cabo Verde, dão foco ao projeto. Os clássicos, de Bitori aos Tubarões, inspiram o baile.

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