Nacional: Trabalhadores da Petrogal concentraram-se em Lisboa

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Cerca de uma centena de trabalhadores da Petrogal concentrou-se esta sexta-feira em frente da sede da Galp, em Lisboa, manifestando-se em defesa dos seus direitos, contra o agravamento das condições de trabalho e a favor da contratação coletiva.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Bravo, da direção da Fiequimetal – Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, explicou que “os trabalhadores da Petrogal estão a protestar contra o ataque que tem sido feito aos seus direitos”, além de se oporem “à denúncia pela administração do Acordo de Empresa”.

Após terem aprovado por unanimidade uma moção que visa reclamar a continuação do processo de discussão do Acordo de Empresa, com vista a promover uma solução negociada que permita a normalização da contratação coletiva na Petrogal, uma delegação entregou-a na sede da Galp, sem que tenha sido recebida por qualquer elemento da administração ou seu representante. Segundo o sindicalista, em causa está o “ataque a direitos justamente alcançados”, que vão desde os subsídios, às pensões de reforma e às condições de seguro de saúde.

“Nada justifica que a Petrogal ataque os direitos dos trabalhadores, sobretudo num período em que a empresa tem lucros absolutamente fabulosos. Nestes três últimos anos, o lucro líquido da Petrogal foi mais de 1,5 mil milhões de euros”, disse à Lusa Manuel Bravo, assinalando que “estes resultados foram conseguidos com o esforço e empenho dos trabalhadores”.

E prosseguiu: “A Petrogal, em vez de agradecer aos seus trabalhadores pelos resultados, tem atacado o que são os seus direitos”. Para a Fiequimetal, os trabalhadores conhecem “o comportamento da administração e não têm grandes expectativas”. Por isso, marcaram uma greve que se inicia em 06 de maio e vai até ao dia 10 do mesmo mês e que engloba todas as refinarias da Petrogal e a sede da Galp, em Lisboa.

“E a luta não ficará por aqui se até lá a Petrogal ou administração não arrepiar caminho, não devolver aquilo que é dos trabalhadores, que foi conquistado e livremente contratualizado entre as partes”, advertiu o dirigente sindical, lembrando que “nada justifica que a Petrogal queira retirar os direitos aos trabalhadores”.

Por sua vez, a deputada do PCP Paula Santos disse à Lusa que o partido comunista compareceu neste protesto para mostrar “a sua solidariedade para com os trabalhadores da Petrogal”. “O que está em causa é efetivamente a administração não manter o Acordo de Empresa com o objetivo de retirar um conjunto de direitos a estes trabalhadores”, explicou a deputada, adiantando que o PCP considera a negociação e a contratação coletiva “um direito”.

Paula Santos considerou também que é por isso que “é justa” a luta dos trabalhadores e que a oposição à caducidade da contratação coletiva “é fundamental”. Nesse sentido, disse à Lusa que o grupo parlamentar do PCP agendou para o dia 04 de maio um debate na Assembleia da República sobre este tema e durante o qual será apresentada uma proposta do partido com “o objetivo de revogar a caducidade da contratação coletiva”.

Depois de terminar a concentração junto à sede da Galp, os trabalhadores deslocaram-se para o Ministério do Trabalho, na praça de Londres, em Lisboa. O dirigente sindical Manuel Bravo, questionado pela Lusa quanto à denúncia do Acordo de Empresa na Petrogal, lamentou que o Ministério do Trabalho, que deveria “promover a contratação coletiva e a negociação”, tenha vindo a fazer “exatamente o contrário”.

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