Odemira: Parceria público-privada para centro de migrantes de Odemira é “exemplo notável”

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O ministro-adjunto Eduardo Cabrita destacou hoje o Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes de Odemira e o modelo de financiamento, único no país, que junta o município e empresas, como “um exemplo notável” a seguir.

“É um caso singular em Portugal até agora e iremos, aliás, divulgá-lo como exemplo notável de responsabilidade social”, disse hoje em declarações à agência Lusa Eduardo Cabrita, em São Teotónio, no concelho de Odemira, após a apresentação do programa “Odemira Integra – Um concelho ativo no acolhimento e integração”.

Além da concretização do financiamento, esta parceria garante, acredita o governante, “que as migrações se fazem dentro da lei, combatendo a imigração ilegal”, “com respeito pelos direitos sociais” ao mesmo tempo que “prova um sentido de responsabilidade social” das empresas e do município.

“Num município daqueles que normalmente se dizem de baixa densidade, marcados pela interioridade, Odemira está na primeira linha da inovação da responsabilidade social, da criação de riqueza, porque sabemos que, em larga medida, estes produtos destas empresas destinam-se aos mercados internacionais mais exigentes”, acrescentou.

A “itinerância” do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) de Odemira, que disponibiliza serviços durantes os dias úteis em localidades diferentes, foi também elogiada pelo governante, considerando que contribui “para que Portugal seja hoje, quer na forma como acolhe imigrantes, quer refugiados, uma referência no quadro europeu”.

Contrariando a tendência nacional, no concelho de Odemira, a imigração tem vindo a crescer, acolhendo mais de 50 por cento dos imigrantes do distrito de Beja, segundo os dados apresentados hoje durante a sessão por Telma Guerreiro, presidente da Associação Taipa, entidade que coordena o CLAIM de Odemira.

“Eu acho que Odemira e São Teotónio são das comunidades mais cosmopolitas do país”, fez questão de destacar Eduardo Cabrita, referindo-se ao número de imigrantes que residem naquele território, onde já representam cerca de 15 por cento da população do concelho.

O governante destaca por isso mesmo a importância da iniciativa do município em parceria com as empresas, defendendo que “a boa integração de imigrantes é um fator de desenvolvimento e de criação de riqueza”. “É, aliás, o que nos dizem todos os estudos internacionais, acolher imigrantes, acolhê-los bem, com integração, promove o desenvolvimento, diz a OCDE, diz o banco mundial, dizem todos os estudos que com rigor se têm debruçado neste fenómeno”, fundamentou.

O CLAIM, explicou a vereadora Deolinda Seno Luís, que coordenou a criação do Plano Municipal para a Integração de Imigrantes, vai permitir, além dar apoio à integração e na resolução de questões relacionadas com a imigração, “operacionalizar” parte do plano, que já levou a que fosse feito um diagnóstico da situação no concelho. Só em São Teotónio, adiantou “25 por cento das crianças que frequentam o agrupamento de escolas são imigrantes”.

“Estamos a falar de cem crianças filhos de imigrantes”, reforçou, revelando que, com o diagnóstico, foi possível planear “36 medidas” para implementar no âmbito do Plano Municipal. “Nós queremos criar políticas de acolhimento e de integração na área da saúde, da prestação de cuidados sociais e a todas as áreas que implicam o bem-estar e a qualidade de vida destas pessoas e promovendo a aproximação com a população local”, disse.

“Foi feito um diagnóstico e foi feito um alinhamento operacional de medidas, são 36 medidas, em várias áreas, desde a educação, ao emprego, língua, saúde, algumas já estão a acontecer outras vão ter um impulso diferente, porque finalmente abriu a linha de financiamento Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração”, explicou.

O CLAIM de Odemira, segundo revelou Deolinda Seno Luís, conta atualmente com um financiamento de 60 mil euros anuais, sendo a autarquia assegura metade desse valor e as empresas envolvidas, Luso Morango, Sudoberry, Vitacress, Multitempo e Haygrove, outra metade. Além desse orçamento, para a execução do Plano Municipal para a Integração de Imigrantes, um projeto-piloto a ser desenvolvido em Odemira e em mais 20 concelhos do país, a autarquia aguarda ainda financiamento comunitário no âmbito do Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração.

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