“Problemas exigem medidas, não nova Lei de Bases da Saúde”, diz comunista João Oliveira

0

O líder parlamentar comunista, João Oliveira, defendeu ontem medidas concretas do Governo para o problema do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em vez da aprovação de uma nova Lei de Bases da Saúde.

O deputado falava aos jornalistas após uma reunião com responsáveis da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano, zona onde decorrem até sexta-feira jornadas parlamentares do PCP, num dia em que o Presidente da República defendeu que Portugal deve ter uma Lei de Bases da Saúde flexível e apostar num “equilíbrio virtuoso” entre público, privado e social.

Marcelo Rebelo de Sousa tem vindo a apelar a um “pacto expresso” sobre este setor antes das próximas eleições legislativas num acordo com “o maior denominador comum entre partidos e parceiros” e o BE já agendou um debate sobre o seu projeto de lei para 22 de junho, cujos protagonistas foram o socialista António Arnaut e o bloquista João Semedo.

Porém, no último debate quinzenal, o primeiro-ministro, António Costa, considerou setembro como um prazo razoável para analisar o futuro relatório de um grupo de trabalho criado sobre o tema e liderado pela socialista e antigo ministra da Saúde Maria de Belém Roseiro.

“O debate sobre a Lei de Bases da Saúde será importante, mas o que verificámos aqui no Hospital do Litoral Alentejano (Santiago do Cacém) é que os problemas com que os portugueses são confrontados no acesso à saúde exige outras medidas que não a aprovação de uma lei de bases”, afirmou João Oliveira.

O líder parlamentar do PCP apontou “constrangimentos orçamentais que resultam das imposições da União Europeia” e as dificuldades de contratação de efetivos substituídos por prestadores de serviços, bem como os processos burocráticos e a competição por parte do setor privado na disputa de profissionais de saúde como as principais carências do SNS.

“Constatámos os problemas acumulados do SNS e a que o Governo não tem feito a opção de dar respostas para os resolver”, resumiu, depois da deslocação àquelas urgências hospitalares, sublinhando que há problemas de desgaste e consequente absentismo, mas também “excesso de ‘presentismo’, ou seja, os que são obrigados a fazer um horário e meio, às vezes dois, porque faltam colegas”.

Segundo a diretora clínica local, Alda Pinto, aquele hospital tem 381 enfermeiros, mas faltam mais 60, enquanto o quadro de médicos está reduzido a 50%, sendo os restantes prestadores de serviços. As maiores carências identificadas são nas especialidades de pediatria, gastroenterologia e patologia clínica.

A mesma responsável queixou-se das dificuldades de meios humanos, mas também em termos de instalações físicas, uma vez que aquela unidade hospitalar serve cerca de 97.000 utentes, mas também tem os picos das épocas balneares, além de tratar os detidos de dois estabelecimentos prisionais (Pinheiro da Cruz e Odemira).

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Share This