Sines: Ambientalistas debatem “futuro do trabalho” numa “economia verde” em Sines

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O “futuro do trabalho em Sines”, que tem algumas das maiores petroquímicas do país, vai ser debatido no sábado, num encontro destinado a “repensar o modelo de desenvolvimento do concelho e preparar a sua transição para uma economia verde”.

Sob o mote “Transição Justa para uma Economia Verde – O Futuro do Trabalho em Sines”, a conferência é promovida pelo movimento Alentejo Litoral pelo Ambiente.

“Em Sines está localizado um dos maiores e mais importantes polos industriais e portuários do país”, lembra o movimento, em comunicado, salientando, contudo, que, “embora o porto de Sines possa constituir uma alternativa viável à economia do concelho e da região, grande parte da sua base produtiva está ainda ligada à produção de energia fóssil – petróleo, carvão e gás”.

No complexo industrial de Sines, onde trabalham milhares de pessoas, estão instaladas fábricas de algumas das maiores indústrias petroquímicas do país, como a Galp ou a Repsol Polímeros, bem como uma central termoelétrica da EDP, abastecida a carvão, e ainda depósitos de gás natural da REN Atlântico.

O Governo comprometeu-se no ano passado a encerrar as duas centrais produtoras de eletricidade a carvão, em Sines e no Pego, até 2030, segundo anunciou a 16 de novembro o ministro do Ambiente, em Bona, na Alemanha, onde decorreu a conferência das Nações Unidas para as alterações climáticas.

“As centrais termoelétricas vão certamente ser encerradas em Portugal assim que tenhamos a capacidade de poder produzir energia a partir de fontes alternativas” sem sobressalto, disse na altura o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

O movimento Alentejo Litoral pelo Ambiente defende ser “urgente repensar” o “modelo de desenvolvimento do concelho”, tendo em conta “os compromissos nacionais consagrados no acordo de Paris a propósito das alterações climáticas” e da “sustentabilidade do planeta”.

“Esse processo de transição e a procura de soluções deverá ser um projeto coletivo e participado, pois o encerramento de algumas unidades industriais ligadas à energia fóssil poderá, se tal não for devidamente planeado, provocar elevados níveis de desemprego no concelho e na região”, alertam os membros do movimento.

O programa da conferência, no salão nobre da Câmara Municipal de Sines, prevê a participação de vários oradores, como Manuel Carvalho da Silva, coordenador do Centro de Estudos Sociais (CES), em Lisboa, e do Observatório sobre Crises e Alternativas, e Américo Monteiro, do departamento para o Desenvolvimento Sustentável da CGTP.

O movimento Alentejo Litoral pelo Ambiente, criado no final do ano de 2016, apresenta-se como “um grupo de cidadãs e cidadãos preocupados com os impactos da poluição” na “saúde, qualidade de vida, futuro comum e meio ambiente”. O grupo ambientalista tem sido um dos movimentos que se têm manifestado contra a prospeção de petróleo no mar ao largo da costa alentejana e algarvia.

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