Sines: Música nova do Levante ao Norte de África no FMM 2018

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No masculino e no feminino, com raízes na tradição, mas com olhos no futuro. Será assim a música com origem nas margens sul e oriental do Mediterrâneo (com um salto ao Golfo Pérsico) na 20.ª edição do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, que decorre de 19 a 28 de julho de 2018, em Porto Covo e Sines.

O quinteto Derya Yıldırım & Grup Şimşek interpreta uma versão elétrica e muito dançável da música turca. Combina folclore da Anatólia, jazz, pop, funk e ritmos eletrónicos, tocados por um coletivo multinacional liderado pela cantora e multi-instrumentista turca Derya Yıldırım e formado por músicos espalhados um pouco por toda a Europa (Reino Unido, França, Alemanha e Itália).

DuOud reúne dois “enfants terribles” do alaúde árabe, o tunisino Jean-Pierre Smadja (Smadj) e o argelino Mehdi Haddab. Juntos em Paris nos anos 90, notabilizaram-se nesta formação no início do século XXI, quando foram nomeados para um prémio BBC de revelação da world music. Volta agora a juntá-los com a mesma visão partilhada de música árabe de matriz acústica cruzada com os recursos da música eletrónica.

TootArd junta cinco músicos com origem nos Montes Golã, região historicamente síria anexada em 1967 por Israel, que não garante aos seus habitantes passaporte israelita, mas apenas um documento, “Laissez Passer”, que dá nome ao disco do grupo. A sua música pode classificar-se como blues árabe, com influências que começam no Levante, passam pelo Sahara e chegam ao resto do mundo.

A libanesa Yasmine Hamdan é uma das primeiras artistas do Médio Oriente a adotar os códigos da música indie. Música viajada (viveu em meia dúzia de países), transporta a herança do local onde nasceu para estruturas e arranjos da música eletrónica, pop e folk. Teve uma participação marcante no filme “Only Lovers Left Alive”, de Jim Jarmusch, e lançou em 2017 o segundo álbum, “Al Jamilat”.

Yazz Ahmed é uma instrumentista e compositora residente em Londres, mas com raízes no Bahrein, Golfo Pérsico. Solista de trompete, é proficiente na maioria dos instrumentos de sopro e metais, incluindo o fliscorne. Move-se na cena jazz londrina fazendo-se notar pelas influências orientais que impregna na sua música. “La Saboteuse” é o seu novo álbum.

Ÿuma é o duo formado por Sabrine Jenhani (voz e composições) e Ramy Zoghlami (voz, guitarra e composições). Cresceram na cena underground de Túnis, atuando em bandas de rock e absorvendo influências do jazz, da folk e dos blues do deserto. Figuras destacadas da música alternativa tunisina, têm vindo a colaborar com músicos bretões através da etiqueta Innacor, que editou os seus dois álbuns.

Também desta zona geográfica, e com o mesmo empenho em abrir novos caminhos para a música com memória, já estavam confirmadas as presenças no FMM Sines na banda de Istambul BaBa ZuLa e do cantor argelino Sofiane Saidi (acompanhado pela banda Mazalda).

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