Sines: Porto de Sines diz que amostras recolhidas não podem “ser comparáveis”

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A Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) afirmou que “não poderão ser comparáveis” as amostras recolhidas pela Universidade de Évora e pelo Instituto Hidrográfico, após o derrame de combustível no mar em 2016.

O CIEMAR — Laboratório de Ciências do Mar, da Universidade de Évora (UÉ), e o Instituto Hidrográfico (IH) “efetuaram a recolha de amostras que não poderão ser comparáveis”, disse a APS, em comunicado.

Segundo a APS, o laboratório da academia alentejana analisou amostras de água, enquanto o IH realizou análises com base em amostras de fuelóleo derramado no mar a partir de um navio.
As amostras “tiveram objetivos distintos”, pelo que, “inevitavelmente, resultariam em valores de referência díspares”, frisou a autoridade portuária.

O comunicado da Administração dos Portos de Sines e do Algarve surge na sequência de uma notícia publicada pelo Jornal de Notícias, que titula “Universidade suspeita de falsear análise ambiental”, num artigo referente à UÉ.

Segundo o jornal, “o Ministério Público (MP) de Setúbal está a investigar” o CIEMAR “por causa de um estudo à qualidade da água”, após o derrame de fuelóleo no mar, na zona do Porto de Sines (Setúbal), ocorrido a 02 de outubro de 2016.

Os resultados das análises do CIEMAR, pode ler-se, “ilibavam a empresa” alegadamente responsável pelo derrame, a MSC, e “viriam a ser refutados por outro estudo”, do IH, que “apurou a existência inequívoca de poluição”.

A APS referiu hoje que, a 02 de outubro de 2016, foram derramadas “20 toneladas de fuelóleo do navio MSC Patrícia”, argumentando que, na altura, efetuou “as devidas diligências”.

Estas, acrescentou, visaram, num primeiro momento, “conter e dirimir a mancha” de combustível e, num momento posterior, “avaliar o impacto” do derrame.

Nesta fase subsequente, a APS indicou ter solicitado ao CIEMAR que efetuasse “um estudo sobre o impacto do referido derrame no meio marinho, nomeadamente na qualidade da água do mar”, para o qual o laboratório “procedeu à recolha de água em condições consistentes com as recolhas que vêm sendo realizadas desde 1997”.

Segundo a APS, “paralelamente, o Instituto Hidrográfico procedeu à recolha do produto”, ou seja, do fuelóleo, “para determinar se o mesmo correspondia ao transportado nos tanques do navio MSC Patrícia”.

A administração portuária disse ainda, no comunicado, que a colaboração com o CIEMAR existe desde 1997 e que reconhece “a este organismo competência técnica e científica neste âmbito”.

Também na sequência da notícia, a vice-reitora da UÉ Ausenda Balbino garantiu aos jornalistas, em Évora, que as análises efetuadas pelo CIEMAR cumpriram “todas as regras” e rejeitou qualquer “falseamento” dos resultados.

“As análises foram feitas com a metodologia habitual e cumprindo com todas as regras e, portanto, não houve aqui falseamento de nada”, mas sim “um rigor imenso na recolha” de amostras e “na análise” realizada, argumentou.

A vice-reitora afirmou que não se podem “comparar coisas que não são comparáveis”, porque o MP “tinha que pedir o mesmo tipo de análise no mesmo sítio” e assegurou que nem a UÉ, nem o CIEMAR foram “notificados” de qualquer investigação.

O MP, noticiou a Lusa, a 19 de maio do ano passado, deduziu acusação contra o armador, o comandante, o chefe de máquinas e o imediato do navio “MSC Patrícia”, responsável pelo derrame de combustível no mar, junto ao Porto de Sines.

A acusação refere que o derrame teve origem naquele navio e que “os arguidos tinham conhecimento de que os tanques apresentavam deficiências e careciam de reparação há já mais de um ano”.

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