Agepor diz que falta de paz social condiciona crescimento portuário

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A Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (Agepor) mostrou-se hoje preocupada com a falta de paz social nos portos, condição que consideram necessária para o crescimento do setor, lembrando que faltam aplicar investimentos no âmbito do Horizonte 2026.

“A Agepor lamenta mais uma greve no setor portuário, desta vez levada a cabo pelo Sindicato XXI em Sines. Logo neste porto que, até agora, se tinha caracterizado, no essencial, por um clima de paz social e progresso, alicerçado na cooperação exemplar de todos os parceiros, condição essencial para garantir a competitividade exigida aos maiores portos mundiais com ambições no mercado de transbordo”, disse, em comunicado, a associação.

Os trabalhadores afetos ao sindicato XXI estiveram em greve no início de maio, mas a paralisação prossegue, agora ao trabalho extraordinário, até, pelo menos, 04 de outubro.

“É um mau sinal e um mau presságio. É a melhor forma de ceder terreno a Valência, Algeciras e Tanger”, defendeu a Agepor.

Por outro lado, os agentes de navegação consideraram que em Lisboa o tempo “é de espera”, não prevendo um futuro melhor.

“O SEAL [Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logistíca] depois de ter privado os seus filiados dos aumentos que tinham sido negociados espera agora por ‘melhores dias’, mas não há ‘melhores dias’ sem perspetivas de paz social duradoura. Não há ‘melhores dias’ sem perspetivas de um sindicato que tenha uma visão de futuro, uma visão de desenvolvimento do porto e do seu movimento”, sublinhou.

Para a Agepor “não há perspetiva de ‘dias melhores’ com o SEAL ou, pelo menos, com este SEAL”.

A associação lembrou ainda “a necessidade de investimento” nos portos portugueses, em consonância com a estratégia para o aumento da competitividade na rede de portos comerciais do continente (Horizonte 2026).

“A Agepor realça que os portos que mais crescem em atividade em Portugal e no mundo inteiro são aqueles onde a paz social e a estabilidade têm sido o padrão que dá a confiança tão necessária para garantir e atrair os investidores nacionais e internacionais. A incerteza e a turbulência fazem com que os potenciais investidores e respetivos investimentos sejam desviados para outros portos vizinhos e concorrentes dos portugueses”, lê-se no documento.

Adicionalmente, os agentes de navegação defenderam a revisão da lei de greve “conferindo-lhe proporcionalidade”, tendo em conta a “onda e tipologias de greves” que têm assolado o país.

“É preciso evitar que certos trabalhadores, abusando da sua ‘posição dominante’, utilizem os seus monopólios laborais para condicionar a vida de toda a população, e tornem de si refém o país, para dessa forma extorquirem condições e vantagens. São já muitos os exemplos nos mais diversos setores de atividade”, concluíram.

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