Câmara de Sines geminada com Pemba envia bens alimentares para Moçambique

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A Câmara de Sines, no distrito de Setúbal, geminada com o município moçambicano de Pemba, anunciou hoje o envio de bens alimentares e de primeira necessidade para a região afetada pelo ciclone Idai em Moçambique.

“Vamo-nos associar às entidades que já estão a preparar o envio de produtos e iniciámos contactos com a Embaixada de Moçambique para ultimar a melhor forma de enviar, através da Cruz Vermelha ou outra instituição, bens alimentares e de primeira necessidade”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas.

O município de Sines, no litoral alentejano, que já aprovou também um voto de pesar pelas vítimas do ciclone Idai, está geminado com Pemba, no norte de Moçambique, desde 2014, mantendo uma relação de proximidade.

“Aquilo que é solicitado são bens alimentares, de preferência enlatados, com duração mais prolongada, uma vez que estamos a falar de um país ainda distante e com alguma morosidade no envio dos produtos e até chegarem às populações. Por isso, estamos a preparar o envio de forma a que cheguem o mais rapidamente possível a Moçambique”, acrescentou.

O município de Sines já começou a trabalhar na “aquisição dos produtos junto do comércio local com vista ao seu envio, na próxima semana, para Lisboa”, explicou Nuno Mascarenhas,

“Embora não tenhamos em Sines um posto de recolha e estejamos ainda a tratar de uma iniciativa da câmara municipal, penso que quem estiver interessado em apoiar o povo moçambicano pode juntar-se com a entrega de produtos nos Bombeiros Voluntários de Sines”, sublinhou.

Questionado sobre a existência de cidadãos do concelho alentejano na zona afetada pelo ciclone, o autarca disse ter apenas conhecimento de “algumas pessoas de Sines ou da região com empresas naquela área e que foram bastante afetadas”.

“Não foi possível contactá-los e não sabemos em que condições poderão estar”, afirmou.

Para o autarca, que visitou o município de Pemba, no mandato anterior, trata-se de “uma situação chocante”, que veio “agravar a situação já de si complicada, devido à falta de saneamento e infraestruturas, do povo moçambicano”.

“A sensibilidade de todo o executivo municipal foi no sentido de aprovar um voto de pesar e de consternação por tudo aquilo que aconteceu ao povo moçambicano que é algo inimaginável e nos entristece”, concluiu.

O balanço provisório da passagem do ciclone Idai é de 557 mortos, dos quais 242 em Moçambique, 259 no Zimbabué e 56 no Maláui.

O ciclone afetou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nos três países africanos e a área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março, e a ONU alertou que 400.000 pessoas desalojadas necessitam de ajuda urgente, avaliada em mais de 40 milhões de dólares (mais de 35 milhões de euros).

Mais de uma semana depois da tempestade, milhares de pessoas continuam à espera de socorro em áreas atingidas por ventos superiores a 170 quilómetros por hora, chuvas fortes e cheias, que deixaram um rasto de destruição em cidades, aldeias e campos agrícolas.

As organizações envolvidas nas operações de socorro e assistência humanitária têm alertado para o perigo do surto de doenças contagiosas.

Portugal é um dos países que enviaram técnicos e ajuda para Moçambique, com dois aviões C-130 da Força Aérea a caminho da Beira e um terceiro, um avião comercial fretado, com partida prevista para hoje, seguindo-se um outro voo na segunda-feira, fretado pela Cruz Vermelha Portuguesa.

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