Centenas de jovens protestaram hoje em Sines em defesa do ambiente

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Centenas de estudantes do litoral alentejano manifestaram-se hoje em Sines contra “um concelho muito poluidor” e com “muitas fábricas”, para defenderem o planeta, alertando que as alterações climáticas são “um problema atual, não do futuro”.

“Temos a Central Termoelétrica de Sines, cujo encerramento defendemos, e muitas outras fábricas”, como as “da Repsol ou da Galp”, disse Duarte Colaço, um dos porta-vozes da manifestação em defesa do planeta.

Segundo este aluno, que frequenta o 11.º ano da Escola Secundária Poeta Al Berto, de Sines, trata-se, pois, de “um concelho muito poluidor” e, “de manhã e à noite”, isso nota-se: “Cheira mesmo muito mal, a enxofre e a gases tóxicos, o que não é muito agradável”.

“E temos muita libertação de fumos das fábricas, o que é muito poluente e muito mau para o ambiente”, acrescentou o aluno.

Em dia de greve climática estudantil, a manifestação em Sines começou por volta das 10:30, com uma concentração no Jardim das Descobertas, desfilando depois os alunos por diversas ruas da cidade até chegarem ao edifício da Câmara Municipal, cerca das 12:00, onde continuaram a protestar em defesa do ambiente e do futuro do planeta.

Duarte Colaço confirmou que, em frente a câmara estiveram “cerca de 200 estudantes”, porque “os alunos mais novos, por exemplo de escolas primárias, não participaram no desfile pelas ruas”.

O protesto juntou estudantes de várias escolas de Sines, como as duas secundárias e uma básica, da escola Tecnológica do Litoral Alentejano, também no mesmo concelho, das escolas secundárias de Santiago do Cacém e Santo André e de escolas do concelho de Odemira (Beja).

Com diversos participantes vestidos de preto, para simbolizar “o luto pelo planeta”, de acordo com Duarte Colaço, gritaram-se palavras de ordem como “Não há Planeta B” ou “Senhor presidente porque deixa esta bela cidade ter uma fábrica tão poluente”, numa mensagem dirigida ao autarca de Sines.

Outros empunhavam cartazes que diziam “You Will die of old age, I will die of climate change” (“Tu vais morrer de velhice, eu vou morrer por causa das alterações climáticas”), “Oh mar quanto do teu sal é plástico de Portugal” e “Pequenas mudanças, grandes Repercussões”.

“Os governos não se têm preocupado com o clima e os jovens é que vão revolucionar isto tudo. Nós temos mesmo de agir, somos o futuro e temos voz e poder para falar perante muitas pessoas e temos que ser ouvidos”, reivindicou Duarte Colaço.

Outra aluna da mesma escola de Sines, mas do 10.º ano, Mafalda Carreira, insistiu que “é importante” os jovens mostrarem “aos líderes políticos que não estão satisfeitos com o estado atual do planeta” e que “este é um problema atual, não é um problema do futuro. As mudanças têm de acontecer agora”.

A greve climática estudantil é inspirada na sueca Greta Thunberg, 16 anos, que no ano passado iniciou um boicote às aulas para exigir do parlamento da Suécia ações urgentes para travar as alterações climáticos, um protesto que rapidamente se replicou por todo o mundo.

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