Cooperação entre unidades de saúde reduz listas de espera no litoral alentejano

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As listas de espera em várias especialidades médicas foram reduzidas no litoral alentejano, nos últimos três anos, graças à cooperação do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) com a unidade local de saúde, revelaram hoje os responsáveis.

Em alguns casos, como a especialidade de otorrinolaringologia, “em apenas três anos, deixou de existir lista de espera para consultas, foi reaberto o bloco operatório” no Hospital do Litoral Alentejano (HLA) e “todos os doentes propostos foram operados”, disse hoje à agência Lusa o presidente do conselho de administração do CHULN, Carlos Martins.

“A política de afiliações, que inclui acordos de colaboração, permite dar uma resposta de proximidade, evitar as deslocações dos utentes e dar rentabilidade ao investimento público nas unidades periféricas”, sublinhou o responsável, destacando “o sucesso” deste “programa inovador”.

A colaboração entre a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) e o CHULN começou em junho de 2015, altura em que foi celebrada uma parceria, na área de imuno-hemoterapia, para fazer face “à escassez de recursos humanos” na unidade de saúde, que abrange os concelhos de Sines, Santiago do Cacém, Grândola, Odemira e Alcácer do Sal.

“Demos uma excelente cobertura nesta área, sobretudo nas consultas aos dadores de sangue, consultas externas e hospital de dia, reforçando o serviço de imuno-hemoterapia da ULSLA com os nossos profissionais”, acrescentou Carlos Martins.

Entre as parcerias estabelecidas estão também as especialidades de pneumologia, otorrinolaringologia, patologia clínica, anatomia patológica, em 2016, e a reumatologia (2017), após acordo de colaboração com o Hospital de Santa Maria, integrado no CHULN, que permite a realização de consultas mensais na ULSLA.

“Não existiam consultas de reumatologia do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em todo o Alentejo e, por isso, decidimos avançar com o protocolo de afiliação que garante a presença de dois médicos especialistas na região do litoral alentejano”, onde existem mais de 100 mil utentes, acentuou Carlos Martins.

Uma vez por mês, a equipa de reumatologia, constituída por um médico especialista e um interno, “observa e executa técnicas de diagnóstico e terapêutica” a uma média de 20 doentes por dia que são referenciados pelos centros de saúde da região.

“Os doentes, a grande maioria mulheres e idosos, são referenciados pelos centros de saúde e, desde que iniciámos estas consultas, conseguimos reduzir o tempo para marcação prioritária, que agora é inferior a 50 dias”, explicou à Lusa o médico e especialista em reumatologia do CHULN Luís Gaião.

Segundo o mesmo clínico, que lidera a única unidade de reumatologia do SNS em todo o Alentejo, a experiência “tem sido gratificante” e “enriquecedora”, tendo em conta algumas das características da região, como as distâncias e a “deficiente rede de transportes”.

“Os doentes têm de se deslocar de manhã e depois das consultas só têm transporte ao fim do dia, porque nesta faixa do Alentejo os problemas são as distâncias e a deficiente rede de transportes em que muitas vezes os horários nem são compatíveis”, realçou.

Para aliciar médicos para as regiões periféricas, o especialista defendeu “protocolos de colaboração” que “fixem médicos nestas unidades”, mesmo “antes de iniciarem os internatos de especialidade”.

Desde setembro do ano passado, a equipa de reumatologia já registou cerca de 350 consultas e, destas, “apenas 15 doentes tiveram de ir para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, tendo os restantes tido resposta de proximidade”, exemplificou o presidente do CHULN.

Perante “o sucesso” deste “programa inovador”, Carlos Martins admitiu a possibilidade de “fixar um médico” nos quadros da ULSLA, em Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, até ao final deste ano, reforçando as respostas de proximidade.

“Esperamos ainda este ano poder fixar um médico, no âmbito deste programa, nos quadros da ULSLA para dar apoio diário e fazer o ‘interface’ com a nossa equipa, incluir novas áreas e reforçar a resposta de proximidade em Santiago do Cacém e até de outras zonas do Alentejo”, disse.

Criada em 2012, a ULSLA integra, além do HLA, em Santiago do Cacém, e da Unidade de Saúde Pública do Alentejo Litoral, o Agrupamento de Centros de Saúde do Alentejo Litoral, com cinco unidades nos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira e respetivas extensões, dando resposta a uma população de cerca de 100 mil habitantes.

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