Escolas fechadas e autarquias a “meio gás” no Alentejo devido à greve na Função Pública 

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Escolas encerradas, hospitais afetados, embora as cirurgias só tenham sido adiadas no de Évora, e serviços municipais a “meio gás” são os efeitos no Alentejo da greve de hoje na Função Pública, indicaram dirigentes sindicais.

Nos hospitais de Évora, Beja e Portalegre, a média de adesão à greve por parte dos enfermeiros ronda os “55 a 60%”, afirmou à agência Lusa Celso Silva, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

“Está a ser uma greve com uma adesão positiva, em linha com o que é habitual, e que reflete o descontentamento dos colegas em relação ao discurso do Governo, que não tem tradução na realidade”, argumentou o sindicalista.

No que respeita à realização de cirurgias, precisou, a paralisação levou ao adiamento de “algumas cirurgias programadas”, mas apenas no Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), pois, “nos hospitais de Beja e Portalegre, o número de colegas em greve não foi suficiente para adiar” esses procedimentos.

Também no HESE, segundo João Fernandes, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, a greve está a afetar vários serviços, devido à adesão “na ordem dos 85%” entre os assistentes operacionais.

O mesmo sindicato revelou que, no hospital de Beja, “os serviços de fisioterapia, as urgências e o laboratório de análises estão com uma adesão de 100%” por parte dos assistentes operacionais.

No setor da educação, de acordo com o Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS), a adesão “está a ser muito significativa por toda a região do Alentejo”.

“O distrito de Évora está com níveis de adesão quase plenos”, disse à Lusa Manuel Nobre, presidente do SPZS. Na capital de distrito, “todas as sedes de agrupamento estão encerradas, assim como as escolas mais pequenas”, e há estabelecimentos de ensino encerrados “em diversos concelhos”, como Viana do Alentejo e Reguengos de Monsaraz.

Na zona de Beja, o SPZS indicou que não há aulas em diversas escolas nos concelhos da capital de distrito, Cuba, Aljustrel, Vidigueira ou Odemira, entre outros, enquanto em Portalegre o mesmo acontece na sede distrital e em concelhos como Campo Maior ou Castelo de Vide.

A coordenadora da União de Sindicatos do Norte Alentejano, Helena Neves, referiu à Lusa que as escolas secundárias de Campo Maior e Mouzinho da Silveira de Portalegre, assim como os agrupamentos escolares de Crato, Avis e Castelo de Vide, são alguns dos que estão de “portas fechadas”.

Também os transportes coletivos na cidade de Portalegre, de gestão municipal, “estão parados”, referiu Helena Neves, apontando impactos noutros serviços municipais do distrito, incluindo a recolha do lixo.

O responsável no distrito de Évora do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), Vítor Carrasco, revelou que, dos 14 concelhos da região, “sete têm a recolha de lixo encerrada” — Arraiolos, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Portel, Reguengos de Monsaraz e Redondo — e “há adesões elevadas noutros concelhos”.

“Também temos estaleiros e setores operacionais encerrados em quatro concelhos”, exemplificou, indicando ainda que os edifícios das câmaras de Arraiolos e de Mora “estão fechados”.

Já o coordenador do STAL em Beja, Vasco Santana, afiançou à Lusa que “a adesão global no distrito é de 80%”, registando-se as percentagens mais elevadas nas câmaras de Serpa, onde “todos os serviços estão encerrados”, Aljustrel, Beja, Mértola, Moura, Alvito, Vidigueira e Odemira.

Na base da greve de hoje da Função Pública, que envolve sindicatos da CGTP e da UGT, está o facto de o Governo prolongar o congelamento salarial por mais um ano, limitando-se a aumentar o nível remuneratório mais baixo da administração pública, de 580 para 635,07 euros, na sequência do aumento do salário mínimo nacional para os 600 euros.

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