Greve dos médicos com adesão de 80% no litoral alentejano mas sem muitas queixas de utentes

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A greve dos médicos no Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém (Setúbal), registou na manhã de hoje uma “adesão de 80%”, segundo fonte sindical, mas vários utentes contactados pela Lusa disseram ter sido atendidos.

“Temos o bloco operatório parado, assim como as cirurgias programadas, e os exames marcados e as consultas externas não estão a ser realizadas”, disse à agência Lusa Guida da Ponte, dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que convocou este segundo dia de greve dos médicos.

Além de considerar a adesão de hoje no HLA “um sinal de um grave descontentamento” destes profissionais “perante a política de saúde”, a dirigente da FNAM manifestou “alguma preocupação” face ao “agravamento das condições” no litoral alentejano.

“Se os médicos demonstram este descontentamento é porque algo está errado e se assim é temos de repensar, porque é que esta zona é altamente carenciada e isto são sinais comprovativos de que esta política de saúde está a ser deletéria para o nosso Serviço Nacional de Saúde”, afirmou.

Apesar da adesão à greve de 80% apontada pela FNAM, numa ronda efetuada pela agência Lusa junto de vários utentes no exterior do Hospital do Litoral Alentejano, a situação aparentava alguma normalidade.

Fernando Rosa, de Odemira, no distrito de Beja, foi ao hospital, pelo segundo dia consecutivo, para realizar um exame ao coração.

“Vim nos dois dias de greve por causa de um exame ao coração e hoje vim retirar o aparelho de monitorização sem quaisquer problemas. Ontem [terça-feira], fui visto por um médico e hoje por um enfermeiro e lá dentro está tudo normal, sem reclamações”, relatou.

A mesma sorte teve Manuel Inácio, residente em São Teotónio, também no concelho de Odemira, que esperava pacientemente que a mulher fosse consultada pelo médico.

“Tivemos sorte, já sabemos que a minha mulher vai ser atendida pelo médico, porque já foi fazer um ‘raio-X’ depois de uma operação ao braço, mas houve pessoas que se foram embora por falta de médicos”, disse.

Maria José Gomes, de Vila Nova de Milfontes, foi surpreendida com o cancelamento da consulta de ortopedia marcada “há três meses” depois de uma operação ao joelho.

“Tínhamos consulta marcada para as 09:30 que foi cancelada, mas só soubemos quando chegámos aqui ao hospital. Viemos de ambulância e eu sabia da greve, mas como ninguém nos avisou que o médico ia fazer greve pensei que estaria tudo normal”, lamentou.

Com a consulta remarcada para agosto, “depois de três meses de espera”, a utente mantém a esperança “de ser atendida em breve”, apesar de mostrar algum desalento perante a situação.

“Já sabemos como é a saúde em Portugal, infelizmente”, desabafou.

O pai de Francisco Pedro, de Sines, no distrito de Setúbal, “foi consultado” pelo médico oftalmologista “sem problemas”.

“O meu pai foi visto pelo oftalmologista e correu tudo normal e sem problemas e lá dentro o serviço também está a correr normalmente”, afirmou.

A Coordenadora das Comissões de Utentes do Litoral Alentejano mostrou-se solidária com a greve dos médicos, lembrando que no litoral alentejano “há cerca de 10 mil utentes sem médico nos cuidados de saúde primários, localidades em que o médico só se desloca uma vez por mês e instalações muito degradadas”.

Os médicos cumprem hoje o segundo de uma greve nacional de dois dias e os enfermeiros iniciaram, também na terça-feira, uma paralisação que se prolonga até ao final da semana.

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