Mulheres protetoras do Estuário do Sado distinguidas com prémio nacional de inovação social

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O projeto “Guardiãs do Mar”, desenvolvido pela Ocean Alive – Cooperativa para a educação criativa marinha, no estuário do Sado foi distinguido com o terceiro lugar na quinta edição do Prémio AGIR, da REN, este ano dedicado ao tema da preservação do património natural.

Através do envolvimento das mulheres da comunidade piscatória, denominadas “Guardiãs do Mar”, o projeto tem como objetivo proteger as Pradarias Marinhas no estuário do Sado, que têm sido alvo de destruição nos últimos 20 anos e são um dos principais berçários da biodiversidade do meio marinho. A iniciativa visa, pois, criar uma nova profissão para pescadoras e mariscadoras, as monitoras das pradarias, que irão colaborar com a Ocean Alive e o Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR) no mapeamento e monitorização deste habitat.

“Guardiãs do Mar” espera eliminar três aspetos destrutivos: a contaminação através do lixo da mariscagem, as âncoras e amarrações e a pesca destrutiva. No longo prazo, o projeto pretende recuperar o habitat de espécies emblemáticas, como a população residente de golfinhos-roazes e cavalos-marinhos.

O programa promove as mudanças de comportamento das pessoas em termos ambientais, através da sua capacitação, educação marinha e sensibilização. Para assegurar a implementação do projeto, foram estabelecidas importantes parcerias, nomeadamente com a Câmara Municipal de Setúbal, a UNESCO, e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Raquel Gaspar, responsável da Ocean Alive – Cooperativa para a educação criativa marinha refere que este prémio “permite o arranque do programa de monitorização científico das pradarias marinhas do estuário do Sado com a comunidade piscatória local através da implementação de um piloto de capacitação de pescadoras da Carrasqueira. É uma forma de alertar nacionalmente para a problemática das Pradarias Marinhas no Sado e reconhecer a capacidade da iniciativa como solução para a proteção do Estuário do Sado e consequentemente para as garantias de desenvolvimento social e económico das atividades ligadas ao estuário. Este prémio vem assim chamar a atenção para a degradação da fauna no Sado, sustento dos pescadores, que dependem deste ecossistema para sobreviver.”

Nesta 5ª edição do Prémio AGIR foram também distinguidos mais dois projetos para defesa do património natural: o projeto “Gado Sapador” da Agência de Desenvolvimento Gardunha 21, Fundão e o projeto “Encosta do Sol”, desenvolvido pela Bonus Itineris – Cooperativa de Qualificação Turística e Territorial, de Braga.

No próximo ano, a REN promove a sexta edição do Prémio AGIR que terá como tema o “Combate ao abandono escolar e promoção do sucesso escolar”.

O Prémio AGIR enquadra-se na política de envolvimento com a Comunidade e Inovação Social da REN. Anualmente, o Prémio AGIR seleciona uma área de intervenção social e distingue três projetos. As últimas edições foram dedicadas aos temas ‘Inserção Laboral de Pessoas com Deficiência’ (2017); ‘Combate à Pobreza e Exclusão Social´ (2016); ´Envelhecimento Ativo´ (2015) e ´Criação de Emprego´ (2014).

A seleção dos três melhores projetos é da responsabilidade da REN, em parceria com a STONE SOUP, que acompanha e monitoriza a utilização dos fundos doados a cada projeto apoiado, efetuando também a avaliação do impacto social real do apoio da REN a cada projeto. Ao primeiro classificado é atribuído um valor monetário de trinta mil euros, ao segundo quinze mil euros e ao terceiro cinco mil euros.

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