Durante o encontro, que contou também com a apresentação do Plano de Ação Climática de Odemira pelo município, a AHSA revelou um portefólio de nove projetos estruturantes e divulgou os dados do seu inquérito anual, que estima um volume de negócios de cerca de 500 milhões de euros para as empresas associadas em 2026.No eixo social, de habitação e integração, a associação destacou o projeto ACTTO (Alojamentos Coletivos para Trabalhadores Temporários em Odemira), que prevê criar quatro unidades na próxima década para acolher 500 trabalhadores e disponibilizar cerca de 2.000 camas adicionais no Perímetro de Rega do Mira. A este somam-se o WELCOME!, um espaço de trabalho colaborativo focado no recrutamento ético e na integração de migrantes, e o Caminhos & Raízes, que visa reforçar a mobilidade rural e a acessibilidade aos serviços e ao emprego no concelho.Na vertente ambiental e de economia circular, foram anunciados o Sudoeste +Verde, focado na instalação de sebes e cortinas de abrigo para promover a biodiversidade e proteger o solo contra a erosão; o Segunda Vida, que planeia a criação de uma unidade territorial de compostagem para valorizar resíduos orgânicos agrícolas; e o "Sol p’ra todos", um modelo de comunidades de energia para a partilha de energia solar descentralizada entre as explorações, a autarquia e a comunidade local, visando mitigar a pobreza energética.O terceiro bloco de iniciativas foca-se no emprego e nos recursos hídricos. Destaca-se a Bolsa de Valores, um mecanismo regional para articular a mão de obra entre a agricultura e outros setores, combatendo a inatividade sazonal; o Horizonte Sudoeste, direcionado para atrair os jovens para o ensino agrícola e para a tecnologia moderna; e o Água que Une, que acompanha a resiliência hídrica regional e foca a sua atenção no projeto de interligação entre o sistema de Alqueva e a barragem de Santa Clara.Os dados do inquérito anual reforçam o peso económico do setor: os cerca de 6.000 hectares cultivados no Sudoeste Alentejano pelos mais de 40 associados da AHSA representam 15% do total das exportações nacionais de frutas, legumes e flores. O perfil é fortemente exportador, com 65% das empresas a colocarem mais de 70% da sua produção no mercado externo, tendo como principais destinos França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Alemanha.

Em termos de emprego, os associados asseguram mais de 4.400 postos de trabalho permanentes. O estudo confirma o papel central da mão de obra estrangeira na região, indicando que 55% das empresas têm equipas compostas por mais de 75% de trabalhadores imigrantes. Paralelamente, dois terços das empresas identificaram a escassez de mão de obra como o principal risco para a campanha atual, apontando as alterações legais, a saída de trabalhadores para outros países e as limitações no alojamento como as causas dominantes para este desafio estrutural.