Como a Implantação da República devolveu a Sines a autonomia e uma nova sede postal
A implantação da República em Portugal, que se comemora nesta segunda-feira, 5 de outubro, evoca em Sines um dos momentos mais marcantes da sua história local: a restauração do concelho em 1914. Após 59 anos de anexação ao vizinho município de Santiago do Cacém, Sines recuperou a sua autonomia administrativa precisamente no ano em que deflagrou a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
A transição para o novo regime republicano fez-se notar não só na alteração da toponímia, mas também na reorganização dos serviços públicos.
O caso mais emblemático foi a instalação da primeira sede dos Correios e Telégrafos na antiga Igreja de Santa Isabel, localizada na então Praça, rebatizada durante este período como Praça Tomás Ribeiro.
Ao abrigo da Lei da Separação do Estado da Igreja, o templo — fundado na segunda metade do século XVIII e já sem atividade religiosa — foi adquirido pela Câmara Municipal de Sines em 1921.
O objetivo era claro: dotar os serviços postais de instalações próprias.
O edifício viria a ser recebido pelos Correios e Telégrafos em 1927, após obras de adaptação, embora a transmissão definitiva da posse por parte do Município só tenha ocorrido em 1937. Já em 2011, a autarquia voltou a adquirir o imóvel, resgatando em simultâneo o respetivo acervo documental.
A memória visual desta metamorfose urbana sobrevive num raro registo fotográfico à guarda do arquivo local: um positivo a preto e branco, preservado em película de 35 milímetros.
A imagem, de datação incerta, capta o edifício com a bandeira nacional hasteada, testemunhando o período em que a antiga igreja abriu as portas como serviço público, após as obras de 1927 e antes das profundas modificações arquitetónicas que viriam a ser introduzidas décadas mais tarde pelo Estado Novo.
