Odemira pede reforço das equipas de sapadores na limpeza das áreas florestais

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Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal de Odemira, Ricardo Cardoso, a limpeza não estará concluída até 15 de março, data limite estabelecida pelo Governo.

O vice-presidente da Câmara de Odemira, no distrito de Beja, defendeu hoje o reforço das equipas de sapadores florestais no seu concelho para garantir a limpeza das áreas consideradas prioritárias pelo Governo até 15 de março.

“A nossa equipa de sapadores florestais é manifestamente insuficiente e já fizemos chegar ao Governo essa pretensão de podermos vir a ter uma nova equipa para reforçar este trabalho porque há concelhos limítrofes ao de Odemira, bastante mais reduzidos, com duas equipas”, afirmou Ricardo Cardoso, em declarações à agência Lusa.

A atual equipa de sapadores florestais, que conta com cinco elementos, “está a trabalhar com os meios técnicos e veículos” da Câmara de Odemira, de maioria socialista, que exige “mais meios” para fazer a limpeza dos terrenos florestais.

“Aquilo que nos pedem é de facto muito e além desta equipa estamos a recorrer a trabalho externo, a empresas florestais, para nos ajudarem nesta tarefa, além da delegação de competências, nas juntas de freguesia, que irá resolver a limpeza das bermas dos caminhos e estradas municipais”, acrescentou.

No Alentejo, foram identificadas seis zonas de ‘alto risco’, nas freguesias de São Teotónio (uma das maiores do país), Saboia, Santa Clara, Luzianes, Boavista dos Pinheiros, São Salvador e Santa Maria, todas elas no concelho de Odemira, e três áreas de “segunda prioridade”, também naquele concelho do litoral alentejano.

“Estamos a falar, seguramente, de mais de metade do concelho de Odemira e de uma extensão de cerca de mil quilómetros. Além dessas freguesias ainda temos São Martinho, Relíquias e São Luís, que são consideradas áreas de segunda prioridade”, avançou.

No âmbito da proteção da floresta contra incêndios, foi estipulado o dia 15 de março como data limite para os proprietários concluírem a limpeza dos terrenos, mas o autarca diz que a operação não estará completa dentro dos prazos estabelecidos pelo Governo.

“É impossível limpar tudo até 15 de março e é evidente que temos de dizer às pessoas para limpar e elas estão conscientes disso, mas, depois dessa data, se chover haverá mato e ervas a crescer”, referiu.

De acordo com o vice-presidente do município de Odemira, torna-se “difícil conciliar” os trabalhos de limpeza “porque as empresas da região também não têm capacidade para fazer tudo até essa data, mas se a 15 de abril tudo estiver limpo já é um ganho extraordinário” para fazer face à incidência dos fogos florestais.

“Estamos a trabalhar de forma a podermos ter uma abordagem mais tranquila às alturas de maior calor e, até ao momento, já executamos 23 ações de sensibilização junto da população, em conjunto com a GNR e os Bombeiros, mas estamos preocupados e a fazer o trabalho possível tendo em conta a dificuldade e a dimensão do concelho de Odemira”, realçou.

Até ao momento, segundo o autarca, a Guarda Nacional Republicana já identificou “56 prédios” no concelho de Odemira por incumprimento na limpeza dos terrenos.

A Câmara de Odemira está igualmente a trabalhar com as Juntas de Freguesia do concelho no sentido de aumentar o número de ‘Aldeias Seguras’ num território com 1721 quilómetros quadrados.

No âmbito deste programa, que procura garantir uma maior proteção das aldeias em caso de incêndio, “já foram criadas” duas aldeias no concelho de Odemira e, segundo Ricardo Cardoso, este ano “estão a ser identificados alguns dos aglomerados que precisam de uma intervenção”.

“Nestas áreas prioritárias foram identificados 56 aglomerados e, como não é possível chegar a todos, temos de estabelecer prioridades”, sublinhou.

Considerando que o Governo “se tem empenhado muito nesta matéria”, o autarca reconheceu que, na generalidade dos casos, os municípios “têm respondido a esse apelo” e “têm feito um trabalho sério, de sensibilização das populações”, demonstrando que “todas as comunidades estão empenhadas no sentido de resolver e fugir a estes flagelos” dos incêndios.

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