Região: Alentejo ainda precisa do dobro da chuva para sair da seca severa

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Será necessário chover o dobro de um ano normal para que as barragens e os aquíferos do Alentejo possam recuperar recursos e atinjam a capacidade de armazenamento satisfatória.

Quem é o diz é Vanda Pires, da divisão de clima do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), relembrando que a chuva que este inverno caiu no sul do país foi insuficiente para a região sair do estado de seca severa. E se o abastecimento de água para o consumo doméstico não está ameaçado, no campo os agricultores já estão a procurar alternativas viáveis às culturas de regadio, assumindo as limitações ao milho e arroz.

O impacto que a seca severa e extrema acarreta para o Alentejo mostra-se até ao nível de Alqueva. O maior lago artificial da Europa estaria, num ano normal, nos 80% de armazenamento, mas revela hoje 67%, chegando, ainda assim para abastecer represas vizinhas. Um dos braços da albufeira, junto a Juromenha (Alandroal) mostra as fragilidades. Já por ali se pescou, mas há dois meses que são as ovelhas de Maria Leonor que lá pastam, tentando comer o pouco musgo que vai nascendo. “A esta altura devia haver bom pasto para estarem gordas, mas continuam magrinhas. Parece verão”, lamenta.

Já as barragens da bacia do Sado não vão além da média de 23.4% da capacidade de armazenamento, quando num ano normal estariam acima dos 55. O Monte da Rocha e o Pego do Altar (a barragem onde a seca destapou uma antiga ponte) são as reservas que atingiram os valores mais baixos, com 8.1 e 8.3, respetivamente.

“Os valores médios de chuva em Beja, em janeiro, são 70 milímetros por dia. Hoje eram precisos 140. Em fevereiro chovem 60 milímetros num ano normal, mas para minimizar a seca eram precisos 120”, quantifica Vanda Pires, ressalvando que a situação é de tal forma crítica que a precipitação teria de ser intensa durante várias semanas. “Já não basta que chova durante dois ou três dias e depois pare uma semana ou duas para voltar a chover ao fim de mais um tempo. Isso não vai acabar com o problema”, diz.

 

 

 

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