Região: Hungria é o país-convidado do Festival Terras Sem Sombra em 2018

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A partir de 2018, será também concretizada uma coprodução anual, com a Universidade Autónoma de Madrid, a apresentar, simultaneamente, no Auditório Nacional de Madrid e no Alentejo, resultado do protocolo assinado pelo FTSS com a instituição espanhola.

O Festival deixou de contar com a parceria da diocese de Beja, que coorganizou o certame com a associação Pedra Angular, desde a sua criação, até este ano, cabendo a 14.ª edição, em 2018, em exclusivo à Pedra Angular-Associação dos Amigos do Património da Diocese de Beja, com apoio das autarquias e de alguns serviços descentralizados do Estado, segundo a organização.

O festival irá manter “o mesmo figurino, isto é, à componente musical, associar a sensibilização para a biodiversidade, com ações no terreno, e visitas guiadas ao património local, incidindo em monumentos e sítios, geralmente fechados ou pouco acessíveis ao público”, disse à agência Lusa Sara Fonseca, diretora-executiva do FTSS.

“Queremos mostrar um Alentejo diferente e, quantas vezes, mais autêntico”, sublinhou.

Elvas, no Alto Alentejo, é um dos novos municípios do certame, que vai receber o único concerto de órgão, por Abraham Martinez, na Igreja de Nossa Senhora da Assunção (antiga Sé).

Entre os novos cenários, em 2018, incluem-se o município de Barrancos e Vila de Frades, no concelho da Vidigueira, ambos no distrito de Beja.

O Coro da Catedral de Szeged, da Hungria, sob a direção de Sándor Gyüdi, o ensemble vocal da Córsega, Barbara Furtuna, a pianista norte-americana Pauline Yang e os pianistas portugueses Artur Pizarro e Nuno Vieira de Almeida, são alguns nomes da programação musical, que acontecerá no Alentejo de fevereiro a junho, com a entrega dos Prémios Internacionais Terras Sem Sombra, no dia 07 de julho, como habitualmente, em Sines.

A programação da 14.ª edição do FTSS é dirigida artisticamente pelo crítico musical Juan Ángel Vela del Campo, pela quarta vez consecutiva.

À agência Lusa, Sara Fonseca sublinhou que este é um “projeto inovador que associa a música erudita ao património cultural e natural, e que dá um estímulo significativo para ajudar o território a ‘não desistir'”.

“Há a vontade e a esperança de poder contribuir com verdadeira excelência artística, que entusiasme e crie impacto na gente fantástica que vive no Alentejo”.

A responsável disse que os eventos “mostram-se aptos a gerar empatias e olhares distintos sobre realidades cruas como a desertificação, esquecimento e a saída dos mais novos” do Alentejo.

Ao lado da programação artística, das ações de biodiversidade e sobre o património cultural, o FTSS “tem a preocupação de promover produtos com valor económico da região”, de que são exemplos o azeite, na edição deste ano, ou do medronho, do mel e do queijo, em edições anteriores.

“O sucesso deste projeto leva a que existam vários candidatos ao produto do Terras Sem Sombra”, disse Sara Fonseca, que não adiantou quais os candidatos.

O Festival tem “dado um novo fôlego ao Alentejo” e, “quando o interior [do país]é muito esquecido, e é evidente a acumulação das atividades culturais, com tudo o que isso implica, em Lisboa, o FTSS é um grito de revolta em favor do mundo rural e de zonas do litoral, que têm sido esquecidas”, asseverou.

“O acesso à cultura, à cultura de qualidade, é um direito de todos e, quando os sinais são contrários, a cultura torna-se também um ato de resistência”, defendeu a responsável.

Este ano, o FTSS aconteceu em oito concelhos do Baixo Alentejo, tendo contado com cerca de 10.000 espetadores, segundo dados da organização.

A 14.ª edição do FTSS é apresentada oficialmente no dia 17 de janeiro, na embaixada da Hungria, em Lisboa, no dia 26, em Budapeste, e, a 07 de fevereiro, em Cáceres, no sul de Espanha.

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