Região: PSD exige resposta do Governo para “situação dramática” no Hospital do Litoral Alentejano

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Os deputados do PSD do distrito de Setúbal alertaram hoje o ministro da Saúde para o agravamento da prestação de cuidados de saúde no Hospital do Litoral Alentejano, devido à falta de médicos e enfermeiros.

“Atualmente, a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano é a ULS do país que tem o pior rácio de enfermeiros por habitantes, bem como o mais baixo financiamento ‘per capita'”, afirmou o deputado Pedro do Ó Ramos, citado num comunicado enviado à Lusa.

O deputado referiu que no final de 2017 faltavam 62 enfermeiros e 38 assistentes operacionais, bem como médicos de várias especialidades, para que toda a unidade de saúde pudesse funcionar adequadamente.

“Até ao momento, o Ministério da Saúde nada fez para resolver este problema, sendo que o mesmo se agravou, estando na iminência o encerramento de vários serviços por falta de profissionais”, sublinha.

Pedro do Ó Ramos diz que esta é uma “situação dramática” que necessita de uma “resolução urgente” e que pode ser solucionada pela alteração ao quadro de pessoal que se encontra “esgotado e desatualizado”, para permitir contratar os profissionais em falta.

“Para o ministro da Saúde parece que está tudo bem, que não existem problemas. Mas isso é completamente falso. Se o ministro visitasse os hospitais saberia disso”, afirma.

O deputado acrescentou que não podem continuar a existir “camas encerradas, cirurgias adiadas, falta de enfermeiros e de médicos em determinadas especialidades”, frisando que a situação da pediatria é “gritante”.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou na quarta-feira terem sido encerradas camas e canceladas cirurgias por falta de enfermeiros no Hospital do Litoral Alentejano (HLA), criticando ainda o “despedimento” de profissionais contratados em regime de substituição.

“Face à agravada carência de enfermeiros, verificou-se o encerramento de camas e atividades em vários serviços/unidades” no HLA, em Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, e “foram já canceladas cirurgias, consequência do encerramento de camas imprescindíveis para os utentes operados”, refere o SEP, num comunicado enviado à agência Lusa.

Contactado hoje pela Lusa, o presidente da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), que integra o hospital, Luís Matias, admitiu a necessidade de a “gestão de camas” ser feita “diariamente”, tendo em conta os recursos disponíveis, mas negou o cancelamento de cirurgias, reconhecendo apenas ter sido cancelado “um turno adicional no serviço de ortopedia”.

A dirigente do SEP Helena Neves disse à Lusa que no serviço de “ortopedia encerraram quatro camas” e nos serviços de “urologia e de ginecologia foram alterados mapas operatórios”, alertando para o “agravamento da situação” com a saída prevista de seis enfermeiros até ao final de abril.

Segundo o administrador da ULSLA, a situação não está relacionada com a saída já prevista dos profissionais contratados temporariamente em regime de substituição e para o plano de contingência da gripe, mas antes com a “subdotação de enfermeiros” no mapa de pessoal, que está esgotado, e também com um “absentismo acima da média”.

“A autorização que tínhamos para estes enfermeiros caducou, estavam em substituição, e, no caso da gripe, temos três autorizados até 30 de abril”, especificou, assegurando que a administração da unidade de saúde está “a trabalhar” para “a ampliação do mapa de pessoal”.

A ULSLA integra o HLA e os centros de saúde dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e de Sines, no distrito de Setúbal, e Odemira, no distrito de Beja, abrangendo uma população residente de cerca de 97 mil habitantes.

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