Sines: Conferência Transição Justa para uma Economia Verde juntou cinco dezenas de pessoas em Sines

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Cerca de 50 pessoas participaram no dia 27 de janeiro, na Conferência Transição Justa para uma Economia Verde, organizada pelo ALA – Alentejo Litoral pelo Ambiente.

O exemplo da Central Termoelétrica de Sines, com encerramento anunciado até 2030, serve para ilustrar o impacto que a inevitável transição para uma economia menos dependente do carbono terá na área de Sines.

Félix Costa, do ALA, trabalhador da Central e sindicalista, apresentou os números, são cerca de “350 postos de trabalho diretos, entre trabalhadores da EDP e de prestadores regulares de serviços, a que acresce um número ainda indeterminado de postos de trabalho indiretos, em resultado da diminuição de carga no Porto de Sines, da menor produção de escórias, cinzas e gesso”.

Trabalhadores e sindicalistas presentes, para além do ALA e do Climáximo, defendem que é necessário obrigar as empresas, o estado e as autarquias à discussão sobre “como se fará esta transição, para que ela seja justa para trabalhadores e para a comunidade, para que não se reduzam as condições e a qualidade dos empregos, que se criem novos postos de trabalho, em substituição dos postos de trabalho eliminados, dando prioridade à reconversão dos atuais trabalhadores”.

São estes também os princípios da Campanha “Empregos para o Clima”, apresentada por João Camargo. Combater as alterações climáticas com uma componente de justiça social, através da criação de novos empregos.

A austeridade pós-troika demonstrou que Sines é particularmente vulnerável a crises. Entre 2011 e 2012 o desemprego triplicou em Sines, um valor muito superior à média nacional. Com um complexo industrial assente na economia do carbono e cerca de 10.000 empregos em setores altamente emissores, Sines será bastante afetada pela crise do clima, e pela necessidade de cortar 15 milhões de toneladas de emissões no setor energético.

Durante a sessão foi afirmado que “a zona industrial de Sines tem de ser coletivamente repensada, e diversificada para setores como o da mobilidade a hidrogénio ou elétrica, as energias renováveis ou a montagem de equipamentos”.

A campanha “Empregos para o Clima” defende que “podem ser criados 45 mil novos empregos para o aumento da produção da eletricidade solar, solar-térmica, eólica, da ondas e marés, manutenção das hidroelétricas atuais e, em menor escala, geotérmica”.

A nível mundial, “o novo emprego e o novo investimento já são muito superiores nas energias renováveis, com custos menores de produção, em relação às energias fósseis”.

A comunidade e os trabalhadores “não têm que ser obrigados a escolher entre postos de trabalho ou qualidade de vida e defesa do ambiente. Uma transição justa é possível, e não serão certamente as empresas a fazer esta transição”.

O ALA defende que “é necessária a criação de grupos locais que pensem a transição, com os trabalhadores e comunidades a fazer parte da discussão. A mudança vai inevitavelmente acontecer, mas as soluções existem e todos e todas temos que pressionar os poderes políticos para as decisões certas, em nome da justiça social e ambiental.”

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