Sines: Europa investiga queixa sobre impacto na saúde de poluição em Sines

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A Comissão Europeia vai fazer uma investigação preliminar, na sequência de uma petição, sobre possíveis impactos da poluição produzida na plataforma industrial de Sines na saúde da população da zona.

A petição foi apresentada à Comissão das Petições do Parlamento Europeu, no início deste ano, por José Carlos Guinote, residente em Sines, na altura, e que entretanto se mudou para a zona de Lisboa, o qual recebeu, agora, uma resposta daquele órgão.

A mais recente carta, consultada pela Lusa, é assinada pela presidente da Comissão das Petições, Cecilia Wikström, que refere ter sido decidido “solicitar à Comissão Europeia uma investigação preliminar sobre os diferentes aspetos do problema”.

O documento dirigido ao Parlamento Europeu reclama a realização de “uma avaliação dos impactos na saúde pública das populações residentes no concelho de Sines e nos concelhos limítrofes” causados “pela poluição produzida pela Plataforma Industrial de Sines”.

O estudo, defende a petição, deve abranger a “poluição atmosférica, mas também poluição dos recursos hídricos, com contaminação das águas de abastecimento e contaminação dos solos, com reflexo na cadeia alimentar”.

O promotor requer ainda que a avaliação inclua “estudos epidemiológicos e de caracterização da morbilidade e mortalidade no concelho de Sines”, analisado no contexto da sub-região do litoral alentejano e da região em que se insere, o Alentejo.

Contactado pela Lusa, o Ministério do Ambiente disse desconhecer a petição, enquanto a Câmara de Sines, para a qual também foi enviado um pedido de informações, não deu ainda qualquer resposta.

José Carlos Guinote, que já foi candidato à Câmara de Sines em três atos eleitorais (duas vezes como independente pelo PS e, nas últimas autárquicas, numa lista de independentes apoiada pelo Bloco de Esquerda), disse à Lusa que a poluição no concelho “é um assunto abordado há várias décadas”, mas que “tem sido minimizado e desvalorizado”.

Do ponto de vista político, “quem teve poder em Sines, ao longo destes últimos 30 anos, nunca fez nada”, acusou, frisando, contudo, que este “não é um problema aprisionado na escala local”, pois, “também os governos têm tido uma atitude de subserviência em relação ao poder económico”.

Ao solicitar uma avaliação aprofundada das instâncias europeias, José Carlos Guinote disse não pretender “que as grandes empresas saiam de Sines”, mas sim “que o problema da poluição seja analisado”.

Por isso, cabe às autoridades europeias “fazerem o que, durante muitos anos, muita gente tentou, sem sucesso, que é a realização de estudos”, defendeu, convicto que a petição “abre a perspetiva de a Comissão Europeia obrigar as autoridades nacionais a manifestarem-se”.

Fonte: LUSA

Discussão10 comentários

  1. Engraçado, após ler a noticia não parei de rir ao achar anedótico a noticia como tambem o ato jornalistico em publicar a imagem da central térmica de SINES, é de muito mau gosto, pois mostra a influência que outras empresas têm sobre a comunicação local, pergunto ao Sr. jornalista relativamente ao 4º paragrafo, se a central témoeletrica de Sines contamina os solos provocando interferencias na cadeia alimentar? ou se conhece o funcionamento da fabrica para poder têla como exemplo de grande fator para a poluição de sines? Exijo respeito pelas 400 pessoas que lá trabalham, que nos anos 80, muito jovens ainda, deixando as suas terras os seus familiares vindos do norte do interior das mais recondidas terras do nosso País, fugindo da fome, procurando trabalho e de uma melhor qualidade de vida recebendo-os de braços abertos, pois na época ninguem se lembrou da poluição, pois o que era Sines? Hoje são estes que trabalham nesta fabrica que fiseram desta terra o que ela é hoje alguns hoje são autarcas desempenham um papel ativo para o desenvolvimento da cidade. Qual é o desempenho que o Sr. jornalista têm para tal efeito? Vivemos num pais de influências.
    Questiono, quem é que mais polui?Não será a fraca e presunsoça comunicação social, que não têm cuidado com o que faz? Deviam sim aplicar esta foto para realizar um trabalho junto dos nossos jovens mostrando o maior centro produtor de eletrecidade do país, é deste centro que sai uma linha de 400 mil volt’s que abastece de enegia o ALGARVE , que têm duas minis barragens que produz energia sufeciente que dá para alimentar SINES, que envistiu nos ultimos 10 anos mais de 1 milhão de EUROS para reduzir as emissões de co2 para atmosfera, que é certificada AMBIENTALMENTE pela LOYYD’S. enfim um conjunto de fatores que se têm que ter em conta e respeitar quem nela trabalha.
    Não se limitem só a influenciar MAL a opinião das pessoas. sejam profissionais ou então mudem de profissão.

    • Acho muito bem que façam o estudo… Porque não teem que sair pessoas prejudicadas em termos de saude so porque essas empresas teem influencia… existem critérios no ambientem que teem que ser respeitados… E nada paga a saude de um ser humano… nem a edp nem a petrogal nem nenhuma das empresas… Aprendam a respeitar a população para serem também respeitados… Isto nao é a republica das bananas… Em que nao se olha a meios para atingir os fins…

  2. Por que raio é que, quando se trata de Poluição, sómente retratam a ÚNICA empresa, a EDP, que efectivamente “gasta dinheiro” em dispositivos de controle de emissões atmosféricas, tais como Dessulfuração dos Gases S02/3, Desnitrificação dos gases NOX (óxidos de azoto) e Precipitadores Electrostáticos (captação de cinzas volantes do carvão queimado) ??? NÃO HÁ PACIÊNCIA PARA OS JORNALISTAS IGNORANTES !!! ARRE !!!!

  3. Etelvina dos Santos Raposo

    Não direi que é a EDP, ou melhor a central termo elétrica a poloidora do concelho, acho que será todo o complexo, e sim este estudo já tem talvez três décadas de atraso, nos últimos vinte anos tem adoecido e falecido mais pessoas de cancro do que nas ultimas décadas anteriores ao complexo, existe decerto algum relacionamento com estas empresas de transformação de produtos petrolíferos não sua maioria, e por certo o lençois freáticos terão sido afetados nos cursos, alguém disse não temos conhecimento para falar em polição, temos sim sabe porque? porque Nós nascemos e vivemos cá, não viemos das profundezas e recondidas terras!

    • Ana Maria Gaspar

      Concordo perfeitamente, e sei do que estou a falar porque já senti na pele ou por outra no coração , a perda de muitos familiares, com doenças associadas a este problema ambiental, façam um estudo sério, e depois vamos ver o que diz . Então sim Falamos todos nessa altura se nos deixarem.

  4. Sem pôr em causa o ponto de vista de ninguém,não vejo qual o,ou os inconvenientes em que se faça o referido estudo sobre impacto ambiental causado ou não! pelas industrias que nas últimas décadas foram instaladas na região.

  5. Edmilson Alves

    Bem, então que se faça o estudo e que este seja isento de influências. Estou curioso de saber os resultados e quais das empresas polui mais e os seus inconvenientes para a saúde pública. Autarcas, não guardem os resultados nas gavetinhas ok?

  6. A longa mensagem do Paulo Silva prova, pela quantidade de absurdidades que refere, que existem muitos interesses políticos e económicos dispostos a descredibilizarem a realidade e o trabalho dos jornalistas só porque sim. No entanto, refere uma questão importantíssima que tem que ser abordada seriamente para que se comece a procurar uma solução para este grande problema que esta industria representa: e essa questão é, o que é se se faz às centenas de empregos que esta industria dá à região? Mas não tenhamos dúvidas nem ilusões, não é por isso que a central não fecha, quando se tem que despedir trabalhadores neste país despedem-se. Se este problema não é tratado seriamente é porque representa enormes lucros num sector muito bem representando ao mais alto nível dos governos e das elites económicas deste país. Mas o problema está ai e é sério, a poluição e os problemas de saúde dela directamente decorrentes – o cancro e a morte inclusive.

    O meu sogro tem um terreno em Santiago do Cacém, que são uns bons kms, e basta o vento mudar desfavoravelmente para a vegetação ficar coberta de uma camada de pó escura – claramente cinza. O que isto custa à saúde das pessoas e mesmo a alguns negócio e à agricultura – no caso desta pessoa concluiu não valer a pena cultivar o terreno por causa da poluição – te, que ser estudado e contabilizado.

    Será por este motivo que Santiago do Cacém é em todo o país a região com maior produção de milho transgénico? As culturas geneticamente modificadas – apesar do risco e da incógnita que representam – têm capacidades que as convencionais não possuem e são mais resistentes a alguns factores. Seria interessante explorar esta ligação. Até porque se o governo só após muita pressão mostrou o mapa nacional das culturas transgénicas neste país é porque tinha bastantes motivos para o manter secreto como foi durante muitos anos.

    Não sejamos ingénuos, até a ligação do tabaco a alguns cancros demorou décadas a ser comprovado, apesar de hoje ser um facto consumado e mesmo na altura parecer mais que óbvio. E isto foi assim porque haviam muitos milhões a ganhar com o tabaco. O mesmo se passa aqui, quem mais ganha com esta indústria não é quem tem de estar exposto a esta poluição, ou a sofrer as suas consequências ambientais ou económicas. São estes que tudo farão para não se efectuarem estudos e nunca serem extraídas ilações do problema óbvio da poluição provocada pela central de Sines.

  7. Bom venho aqui deixar o meu comentário. Segundo estudos que foram feitos colocados em jornais públicos. E baseando-me nas mesmas noticias. De facto a Central Termo eléctrica de Sines é a mais poluidora do ar no País!! E a ETAR de Ribeira de Moinhos a segunda mais poluidora do País em termos de águas. Contudo não podemos ser mais papistas que o Papa. É obvio que temos de ter energia tratar as nossas águas e termos trabalho. Contudo acredito que se possa ter tudo isso com qualidade de água e ar. Não só no Concelho de Sines mas também como nos concelhos e freguesias circundantes segundo os estudos dos ventos predominantes. Empresas como a GALP ou EDP apresentam milhões de euros de lucro todos os anos. Então acredito que possamos ser um pouco mais cívicos. Se em vez de ganharem 20 ganharem apenas 10 e estruturarem as coisas de forma a poder existir vida duradoura em volta é bom. Porque de facto nasci na região e quando vivi em frente a Praia mar de prata nas barraquinhas onde hoje é o Kalux e Trinca Espinhas eu lembro-me de atravessar a estrada e chegar ao mar e encontrar estrelas do mar, caranguejos, lapas, conquilhas, lembro-me de ao longo de anos ir pescar e em 2 horas pescar meio balde. Hoje em dia levo uma noite inteira. Lembro-me de andar por as estradas e frequentemente ver lebres, coelhos e javalis, corujas, mochos, pirilampos, entre outros hoje em dia raramente vejo esta biodiversidade. Seja no mar ou em terra. Vejo mais arvores a morrer em pinhais do que a crescer. E sim temos que ter trabalho. Mas temos que viver para poder trabalhar tem que existir vida, para tudo o resto funcionar. Logo tem que se encontrar um ponto de equilíbrio. Pois, apresentar milhões de euros de ganhos e lucros anualmente. Sentarem o rabinho na cadeira, chegar a casa com 2000 euros por mês para casa e andar a coçar a micose, dá o no que deu hoje. Não existiu nem existe em Portugal inteiro, planos preventivos em caso de catástrofes, em caso de avarias grandes, em nada. Dou o exemplo simples. Hoje existiu um corte de energia, em comunicado a EDP disse que as 18:30 tinha o problema resolvido. São 3 da manhã ainda não está resolvido. No local onde colocaram um gerador. Tiveram de arrancar ferros do chão para o camião passar com o gerador. Em frente ao Recheio existe 30 pessoas com 6 geradores sem saber o que fazer e como fazer. Todos os bens dentro das grandes superfícies perderam temperaturas. Irão para perda. Lixo. A EDP terá de indemnizar. Porque ao longo de anos as pessoas não foram escolhidas para os cargos que exercem, por simplesmente serem os melhores, mas sim por o fator C de cunha. Este é o País que temos e ao longo de 30 anos não mudou. Ninguém vai ser responsabilizado. E tudo continuará na mesma. Só espero que o Estado não vá injetar mais dinheiro na EDP para pagar tudo isto. E que as Seguradoras. A EDP que apresenta lucros anualmente e os seus acionista. Paguem a factura da suas responsabilidades. Independentemente que isso dê falência. Porque eu sinceramente estou cansado de há 30 anos andar a pagar a factura de quem não faz o seu trabalho só porque copiou tirou cursos superiores comprados e entrou para cargos que não tinha a minima competência para os ter através do fator cunha. Chegou altura de sermos um País como deve ser. E sim temos que ter as refinarias, temos que ter ETAR. Mas que cumpram, entre os objetivos e lucros também cumpram o dever cívico e ambiental.

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